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O Verdadeiro Espírito de Natal |
Por: Sirley Bittú
Na grande
magia do Natal despertam dentro de alguns um potencial de solidariedade e
compaixão, surgem as campanhas contra a fome e a miséria humana, renasce
dentro de nós a esperança na humanidade e em sua generosidade.
Muitas famílias passam juntas esta noite, pessoas perdoam-se mutuamente,
desentendimentos são desfeitos, compartilha-se a emoção e a alegria que
envolve a história do menino Jesus e a lenda do bom velhinho, tudo gira em
torno do amor. É o aval que algumas pessoas precisavam para demonstrar seu
carinho e sua gratidão às pessoas que querem bem.
A figura de JESUS simboliza a capacidade humana de ser humilde, generoso, de
amar, compartilhar, preocupar-se com o outro e principalmente respeitar as
pessoas, independente de classe social, ou mesmo das próprias crenças.
De forma geral, fomos educados dentro de uma concepção filosófico-religiosa
onde aprendemos a valorizar o ser generoso, aquele que oferece toda a sua
disponibilidade e bens para o outro, sem pedir nada em troca.
Só podemos oferecer o que temos, a generosidade é uma capacidade emocional que
se relaciona ao desprendimento e a auto-estima.
Quando você oferece algo para alguém esperando algo em troca, isto chama-se na
verdade “investimento” e portanto você não está dando nada; quando você
oferece algo e cobra o pagamento, isto é “venda” e portanto o outro tem
direito de saber o que está comprando e qual o preço do produto para decidir
se o quer ou não.
As relações afetivas de todo tipo, sejam familiares, amorosas, sexuais,
fraternas ou quaisquer outras, tem como base o compartilhar de afetos,
pensamentos, emoções, respeito mútuo e portanto não se trata de
investimentos no sentido que coloquei anteriormente, nem de venda. É como a
garota que gasta todo seu salário com um lindo presente para seu namorado e na
noite de natal ele chega com um “pacotinho de bombom” e sente-se culpado por
ter sido tão “mesquinho”. Na verdade nenhum dos dois estava satisfeito e
seguro da própria atitude, ela esperava algo mais “substancioso”, pelo
menos mais próximo do esforço que fez para agradá-lo, enquanto deveria na
verdade é reavaliar seu modo de sentir-se passível de ser amada. Esta equação:
“tenho que oferecer muito para as pessoas perceberem como eu sou legal, e
obviamente ser recompensada”, são velhas companheiras conscientes ou
inconscientes das pessoas que se acham generosas demais para este mundo cruel e
mesquinho que não reconhece sua grandeza e generosidade. Na verdade o centro
desta questão é uma auto-estima muito baixa, uma dificuldade de perceber o próprio
valor.
Como isso é possível numa sociedade capitalista e competitiva como a nossa?
Como sermos ‘bons” sem nos sentirmos “bobos” ou nos tornarmos tirânicos?
Aprendemos com nosso desenvolvimento pessoal, que toda relação contém em si
algum tipo de troca; buscamos ser aceitos em nossa forma de estarmos no mundo,
sermos compreendidos em nossos motivos e principalmente, buscamos ser felizes.
Ser BOM é diferente de ser BOBO, como também querer ser “esperto” também
é diferente de ser generoso.
E qual a diferença entre essas coisas?
O diferencial está na capacidade de perceber-se e aceitar-se, de ser autêntico
em suas atitudes, respeitando a si e ao outro. O bobo é aquele que na verdade não
sabe do que é capaz e portanto não consegue perceber do que o outro é capaz,
justamente por não ter real conhecimento da própria natureza (humana),
coloca-se numa posição de total desproteção, tornando-se vulnerável. O
esperto é aquele que está sempre tentando ‘levar vantagem em tudo’, mas
sempre vestido de “bom moço”, ele é produto do entendimento equivocado da
palavra generosidade. E finalmente o bom é aquele que sabe que não é bom nem
mau e ao mesmo tempo é simplesmente o 'interjogo' dessas duas forças que
existem dentro de nós e as quais procuramos, através de nossa maturidade
emocional, aprender a manter em equilíbrio para nos relacionarmos de forma
harmoniosa e feliz.
O advento da generosidade é algo maior que o poder econômico. Podemos ser
generosos sem necessariamente termos dinheiro, podemos oferecer gratuitamente
amor, atenção, solidariedade e principalmente respeito, aprendendo a olhar as
pessoas que estão à nossa volta como seres humanos, não apenas enxergando
seus defeitos, mas as suas qualidades e potenciais pessoais.
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